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Os 30 mil euros que o consulado confere
Schengen exige apólice com 30 mil euros de cobertura médica, e o que você paga depois depende da franquia por evento e do reembolso.
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A apólice impressa dentro do passaporte
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Um casal de Curitiba embarcou para Lisboa numa terça-feira de fevereiro com dois meses de planejamento, planilha de hospedagem e nenhuma linha sobre seguro. A exigência apareceu no balcão da companhia aérea, quarenta minutos antes do portão fechar, na forma de uma pergunta curta sobre o comprovante da apólice.
Eles tinham uma, comprada por impulso três dias antes: R$ 19 por dia, com um limite de despesa médica de 15 mil euros escrito em letra miúda na terceira página do certificado. O funcionário apontou o número e explicou que a fronteira trabalha com outro piso.
Compraram outra ali mesmo, no celular, na fila do check-in, agora com limite de 40 mil euros e a apólice antiga cancelada dentro do prazo de arrependimento. O certificado novo chegou por email em quatro minutos, em PDF, e foi impresso numa máquina do aeroporto por R$ 3.
O papel não foi pedido em Lisboa. Foi pedido no sexto dia, em Amsterdã, quando uma queda de bicicleta no calçadão terminou num pronto-socorro com raio-x, imobilização de punho e duas horas de observação. O hospital não trabalhava com a seguradora e pediu o cartão de crédito na saída: 1.180 euros.
O reembolso caiu 22 dias depois da abertura do processo, com um desconto que ninguém tinha lido antes de viajar: 50 euros de franquia por evento. Voltaram 1.130 euros, convertidos pela cotação do dia do pagamento no hospital, não pela do dia do reembolso. A conta saiu em euros e o extrato do cartão fechou em reais, com dois números diferentes para o mesmo atendimento, e nenhum deles combinava com a estimativa que o casal tinha feito no voo de volta.
A viagem inteira coube em três números que estavam na apólice desde o começo: o limite exigido na entrada, o modo como o hospital é pago, e a franquia descontada de cada atendimento. A leitura de hoje começa pelo primeiro deles, o que a fronteira confere antes de qualquer carimbo.
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I Leitura de Apólice
O que os 30 mil euros precisam cobrir
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O número que a fronteira confere não é o preço da apólice.
O piso é de 30 mil euros de cobertura médica e hospitalar, válido em todo o espaço Schengen e por todo o período da permanência. Abaixo disso a apólice existe, mas não serve para o que a fronteira pede.
O número não é invenção de seguradora para empurrar plano caro. Ele está no Código de Vistos europeu, o mesmo texto que orienta consulado e polícia de fronteira, e vale igual para quem precisa de visto e para quem entra sem ele.
Brasileiro entra no espaço Schengen sem visto para turismo de até 90 dias, e por causa disso muita gente conclui que a exigência do seguro não se aplica. O agente de fronteira tem o poder de pedir os documentos que comprovam as condições de entrada, e o comprovante do seguro está nessa lista.
A checagem acontece em três lugares: no balcão da companhia aérea, na entrada do primeiro país do bloco, e no hospital, onde a apólice deixa de ser papel e vira dinheiro.
Os quatro itens que o certificado precisa dizer
Abra o seu certificado agora e procure por estas quatro linhas, nesta ordem:
• Despesa médica e hospitalar de no mínimo 30.000 euros, escrita em euros e não em dólares, porque conversão de moeda no balcão não convence ninguém
• Validade em todos os países do espaço Schengen, e não apenas no país de destino da passagem
• Período de cobertura que começa antes do embarque e termina depois do desembarque de volta, cobrindo a viagem inteira
• Repatriação sanitária e traslado incluídos, que são cobertura obrigatória na leitura europeia e costumam vir com limite separado do limite médico
Dólar no lugar de euro é o erro mais comum das apólices vendidas junto com a passagem. Cobertura de 30 mil dólares vale menos de 30 mil euros na conversão, e a diferença só aparece quando alguém confere o papel.
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Trinta mil euros é piso, não teto. É o mínimo que a entrada exige, e é a primeira linha que o agente procura no certificado.
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A regra que fixa o valor está escrita com todas as letras no regulamento europeu que organiza os pedidos de visto, e o trecho vale a leitura porque define também o que a cobertura precisa alcançar.
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"Os requerentes devem provar que possuem um seguro médico de viagem adequado e válido, que cubra as despesas eventuais de repatriamento por razões médicas, de urgência médica, de emergência hospitalar ou de assistência médica durante a estada no território dos Estados-Membros, com cobertura mínima de 30 000 EUR."
Regulamento (CE) n.º 810/2009 do Parlamento Europeu e do Conselho, artigo 15, de 13 de julho de 2009.
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O texto exige repatriação sanitária, urgência, emergência hospitalar e assistência durante a estada. Apólice que cobre só emergência atende mal o que está escrito ali.
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II Regra de Bolso
Rede direta, reembolso e franquia por evento
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Rede referenciada paga o hospital direto. Fora dela, você paga, junta papel e recebe de volta, com a franquia do evento descontada do valor.
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A apólice de viagem tem dois modos de funcionar, e o modo muda no meio do atendimento, sem aviso. No primeiro, você liga para a central antes de entrar no hospital, a seguradora confirma que aquele prestador é da rede e a conta é paga diretamente pela seguradora.
No segundo, o hospital não trabalha com a sua seguradora, ou o atendimento foi urgente demais para uma ligação prévia. Você paga do próprio bolso, guarda o comprovante e abre o pedido de reembolso depois.
A franquia por evento é o valor fixo que a seguradora desconta de cada atendimento reembolsado. Cinquenta euros de franquia com uma conta de 1.180 euros devolvem 1.130. A mesma franquia com uma conta de 90 euros devolve 40, e é por isso que consulta pequena raramente compensa o processo.
Por evento significa por ocorrência, não por viagem e nem por dia. Duas quedas em cidades diferentes são dois eventos, com duas franquias. O retorno para reavaliar o mesmo punho entra como continuação do mesmo evento, com uma franquia só, desde que o pedido cite o processo aberto na primeira consulta.
Cinco passos quando o hospital fica fora da rede
1. Ligue para a central de assistência antes de ser atendido, sempre que a situação permitir. A ligação abre número de processo, e é esse número que amarra retorno, exame e medicação ao mesmo evento.
2. Peça a fatura discriminada, item por item, e não o resumo com valor único. Reembolso analisa procedimento, e conta fechada sem discriminação volta com pedido de complementação.
3. Peça o relatório médico com diagnóstico, data e descrição do que foi feito. Sem relatório, a seguradora não consegue provar que o atendimento foi de urgência, e urgência é a condição da cobertura.
4. Pague com cartão de crédito e guarde o comprovante em euros. A conversão do reembolso usa a cotação da data do pagamento, então o extrato do cartão é a prova do câmbio.
5. Abra o pedido dentro do prazo do contrato, que costuma ser de 30 dias corridos após o atendimento, e envie tudo junto. Envio em partes reinicia a análise.
O prazo de resposta é o outro número que ninguém confere antes de comprar. A maioria promete análise em 30 dias a contar do envio completo, e o relógio só começa quando o último papel chega.
A regra de bolso do dia cabe em duas linhas. Ligue para a central antes de entrar no hospital sempre que der, porque rede direta elimina a conta no cartão, e trate a franquia como custo fixo de cada evento, decidindo pelo tamanho da conta se vale abrir o processo.
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