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ED 049

29% escolheram Vendaval de 54 km/h. Aqui está.

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O vento que a apólice não mediu

A cobertura de vendaval só paga com rajada de 54 km/h ou mais na estação meteorológica. Abaixo disso, o telhado sai do bolso.

Telhas cerâmicas quebradas empilhadas no quintal molhado depois de um temporal.

Telhas que a rajada levou

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A frase de quem abre o sinistro confiante costuma ser esta: "Tenho foto, tenho boletim de ocorrência, o telhado voou, o seguro paga." Muitas vezes não paga. A foto prova o estrago e o boletim prova que o dono avisou a polícia, mas nenhum dos dois mede a velocidade do vento que levantou as telhas.

A cobertura de vendaval da apólice residencial costuma trazer um número escrito nas condições gerais: vento igual ou acima de 54 km/h. Abaixo dele, o contrato trata a rajada como tempo ruim comum, e o conserto fica por conta de quem mora na casa.

Quem confere o número é a seguradora, e ela não usa o anemômetro (o aparelho que mede a velocidade do vento) do vizinho. Consulta o registro da estação meteorológica mais próxima, em geral uma das estações automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet, que publica dados hora a hora na internet.

O problema começa na distância. Uma estação pode ficar a 20 ou 30 quilômetros do bairro, num aeroporto ou num campo aberto, e a rajada que arrancou a cumeeira (a peça que fecha o encontro das duas águas do telhado) pode ter sido local e curta, forte numa rua e fraca na seguinte.

Se a estação anotou 48 km/h naquela hora, a regulação (a análise que a seguradora faz antes de pagar) tende a negar. O dono tem as fotos, o boletim, o orçamento do telhadista, e recebe uma carta de recusa citando a cláusula.

Existe caminho para contestar, e ele passa por dados meteorológicos de outras fontes, pela redação da própria cláusula e pelo Código de Defesa do Consumidor. Existe também o caso em que a recusa está correta, e reconhecê-lo cedo poupa meses de briga e algumas centenas de reais em orçamentos.

A seção I lê a cláusula de vendaval e o que ela exige. A seção II mostra como juntar prova de vento para o sinistro. A seção III acompanha três telhados e o desfecho de cada pedido.

Continue lendo ↓

 
 

I  Leitura de Apólice

O número escrito na cláusula de vendaval

A cobertura de vendaval só paga quando o vento chega a 54 km/h ou mais, e quem mede é a estação meteorológica, nunca a foto do estrago.

Na apólice residencial, vendaval costuma vir como cobertura adicional, contratada à parte da cobertura básica de incêndio, raio e explosão. Algumas seguradoras vendem num pacote com granizo, fumaça e impacto de veículo, com um único limite em reais para todo o grupo.

As condições gerais (o documento longo que detalha coberturas e exclusões) definem vendaval como vento de velocidade igual ou superior a 54 km/h. A cifra se repete na maior parte dos contratos do mercado brasileiro, mas cada apólice diz qual número vale para ela, e algumas pedem mais.

Essa velocidade corresponde a 15 metros por segundo. Na escala que o almirante britânico Francis Beaufort criou em 1805 para classificar o vento pelo efeito que ele produz, 54 km/h fica no grau 7, chamado de vento forte: árvores inteiras balançam e fica difícil caminhar contra ele.

O que a cláusula costuma excluir

Mesmo acima de 54 km/h, a cobertura tem limites. Telhado sem manutenção, telha quebrada antes do temporal, cupim no madeiramento: a seguradora pode recusar dizendo que o vento só terminou um estrago que já existia.

Chuva que entra pela janela aberta e molha o piso também fica fora, em muitas apólices. A água só entra na conta quando chega pela abertura que o próprio vento causou, como o buraco da telha arrancada.

Bens ao ar livre, como toldo, antena, placa solar mal fixada e muro, aparecem com frequência na lista de exclusões ou com limite menor. Cada item precisa ser conferido na apólice antes do temporal, quando ainda dá para contratar a extensão.

A regra que protege quem assinou

O Código de Defesa do Consumidor manda que a cláusula que limita direito venha destacada no contrato, para que o segurado a encontre sem procurar.

"As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor deverão ser redigidas com destaque, permitindo sua imediata e fácil identificação."

Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078, artigo 54, parágrafo 4º, 1990.

Se o limite de 54 km/h aparece só em letra miúda, sem negrito nem quadro, a família tem argumento para dizer que não foi informada. O juiz pode considerar a limitação sem efeito quando o destaque falta.

A dúvida mais comum é sobre a estação. Se a cláusula não diz qual estação vale, nem a distância máxima até o imóvel, a seguradora escolhe a que preferir; a família, por sua vez, pode apresentar uma medição mais próxima da casa.

 
 

II  Regra de Bolso

Como provar o vento antes de ligar para a seguradora

Quem junta a medição do vento na semana do estrago chega ao sinistro com a prova que a seguradora vai pedir, e a recusa por velocidade fica mais difícil de sustentar.

Foto e boletim continuam necessários. Eles mostram o dano, a data e o horário. Falta o terceiro papel: um registro de vento daquela hora, daquele lugar, feito por alguém que a seguradora reconheça.

O passo a passo

Na manhã seguinte ao temporal, faça cinco movimentos:

1. Fotografe o telhado de vários ângulos, com a data na imagem, e guarde as telhas arrancadas: elas mostram se estavam inteiras ou já rachadas.

2. Abra o portal do Inmet (tempo.inmet.gov.br), escolha a estação automática mais próxima e baixe a tabela da data, com a rajada máxima hora a hora.

3. Procure a Defesa Civil do município e peça o relatório do evento. Quando a prefeitura decreta situação de emergência pelo temporal, o decreto entra no processo.

4. Junte reportagens locais do dia, com horário, e registros de vizinhos com dano parecido na mesma rua.

5. Abra o sinistro com todo o pacote, anote o protocolo e peça por escrito, em caso de recusa, qual estação e qual leitura a seguradora usou.

A rajada é o dado que importa. O Inmet registra a velocidade média do vento e, em coluna separada, a rajada máxima, o pico de poucos segundos. Um temporal com média de 30 km/h pode trazer rajada de 70 km/h, e é a rajada que arranca telha.

Confira qual das duas colunas a seguradora citou. Recusa que usa a média quando a cláusula fala em vento, sem dizer qual medida, abre espaço para contestação.

Quando a estação fica longe

Se a estação do Inmet ficou longe ou fora do ar, existem outras fontes: redes estaduais de monitoramento, estações de universidades e aeroportos, que publicam o Metar (a mensagem meteorológica padronizada da aviação, emitida a cada hora).

Quando a cláusula deixa margem para duas leituras, a lei manda escolher a que favorece o segurado.

"As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao consumidor."

Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078, artigo 47, 1990.

A seguradora não é obrigada a aceitar estação amadora de quintal. A Susep (Superintendência de Seguros Privados, que fiscaliza o mercado) recebe reclamação quando a carta de negativa não explica o critério usado.

Recusa por velocidade tem recurso interno na própria seguradora, depois reclamação na Susep e no consumidor.gov.br. Sem acordo, cabe ação no juizado especial cível, que dispensa advogado em causas de até 20 salários mínimos.

 

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III  Placar do Sinistro

Três telhados, três leituras de vento

Os três casos abaixo são composições montadas sobre situações frequentes nas reclamações contra seguradoras depois de temporais. As famílias não têm nome porque não são pessoas reais; os desfechos seguem o que as condições gerais e o Código de Defesa do Consumidor determinam.

Caso A. Uma família de Curitiba perdeu metade das telhas de fibrocimento numa tarde de outubro. A estação do Inmet, a 12 quilômetros, registrou rajada de 71 km/h naquela hora. O orçamento do conserto deu R$ 9.400; a seguradora pagou R$ 8.400, descontada a franquia (a parte do prejuízo que fica com o segurado) de R$ 1.000.

Caso B. Um casal de Porto Alegre teve a cumeeira arrancada. A estação usada pela seguradora, a 25 quilômetros, marcou 46 km/h, e veio a recusa. O casal juntou o Metar do aeroporto Salgado Filho, a 4 quilômetros da casa, com rajada de 63 km/h, e o decreto de emergência da prefeitura. No recurso interno, a seguradora reviu a negativa e pagou o telhado.

Caso C. Um aposentado de Campinas viu o vento levar parte do telhado. A estação registrou 58 km/h, acima do limite. A vistoria, porém, achou o madeiramento tomado por cupim e telhas com rachaduras antigas. A exclusão por falta de manutenção estava em destaque na apólice, a recusa ficou de pé e o conserto de R$ 6.200 saiu do bolso dele.

O que o placar mostra

Os três tinham foto e boletim. O pagamento dependeu de duas leituras: a do vento, feita pela estação, e a do telhado, feita pelo vistoriador.

Manutenção documentada conta. Nota fiscal de revisão do telhado, foto do telhado inteiro tirada meses antes, recibo de troca de telhas: cada papel desses afasta a exclusão por desgaste.

Quem contrata ou renova a apólice pode perguntar ao corretor qual velocidade a cláusula exige e qual estação a seguradora usa, e pedir a resposta por e-mail, que vale como prova.

Vendaval se paga com leitura de vento igual ou acima de 54 km/h e telhado bem cuidado; foto e boletim sozinhos não fecham o sinistro.

"Qual velocidade de vento a sua apólice residencial exige para pagar o telhado?"

Abra a apólice residencial e confira:

1. Velocidade mínima escrita na cláusula de vendaval, em km/h.

2. Estação meteorológica ou fonte que a seguradora usa para medir o vento.

3. Valor da franquia de vendaval em reais e o limite máximo da cobertura.

 
 
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Quiz da edição

Segundo as condições gerais citadas na edição, a partir de qual velocidade o vento passa a ser reconhecido como vendaval pela cobertura da apólice residencial?

A40 km/h
B60 km/h
C54 km/h
D70 km/h

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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