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Sinistro 1. Vazamento no apartamento, documentação completa entregue de uma vez no dia 19, com protocolo por escrito e nenhum pedido complementar. Prazo de trinta dias corre limpo, vence no dia 18 do mês seguinte, e o segurado sabe exatamente quando cobrar.
Sinistro 2. Mesmo vazamento, envio fatiado em quatro etapas ao longo de três semanas, sem protocolo guardado. O marco inicial vira a data da última folha, e o segurado que contava desde o aviso descobre que estava vinte dias atrasado na própria conta.
Sinistro 3. Mesmo vazamento, documentação completa no dia 19 e pedido de laudo técnico no dia 27. A contagem congela com oito dias corridos, o laudo é entregue no dia 40, e os vinte e dois dias restantes só voltam a andar a partir do dia útil seguinte.
Os três casos vêm do mesmo cano estourado e do mesmo estrago no forro. O que separa um do outro é o registro de datas que o segurado manteve, não a complexidade do prejuízo.
A distância entre os três aparece nas datas:
• Aviso do sinistro: dia 3
• Documentação completa no caso 1: dia 19
• Data limite de pagamento no caso 1: dia 18 do mês seguinte
• Dias congelados no caso 3: 13 dias de suspensão
O prazo ensina uma lição desconfortável e útil. Quem espera em silêncio confiando que alguém do outro lado está contando os dias entrega o controle do relógio para a parte que ganha com a demora.
O papel do segurado é outro: manter a própria contagem, com data de entrada, data de cada exigência e data de retomada, e apresentar o número quando a conversa travar.
Existe um caminho de escalonamento que quase ninguém usa antes de procurar advogado. A reclamação formal na ouvidoria da seguradora e o registro no canal de atendimento do órgão regulador do setor custam zero e ficam documentados.
O que fazer nesta semana
1. Hoje: localize a apólice e leia a lista de documentos exigidos para o tipo de sinistro que você poderia sofrer.
2. Amanhã: crie uma pasta no celular chamada sinistro, com espaço para protocolos, comprovantes de envio e prints de tela.
3. Até sexta: se tem sinistro aberto, peça por escrito a data em que a seguradora considera completa a sua documentação.
4. Antes de reclamar: monte a linha do tempo com data de entrega, data de cada exigência e data de cumprimento, numa folha só.
5. Se o prazo estourar: registre reclamação na ouvidoria com a linha do tempo anexada e guarde o número do atendimento.
Guardar a linha do tempo tem função prática na hora do impasse. Ela transforma uma reclamação de sensação, demorou demais, numa reclamação de fato, venceu no dia tal, e as duas recebem tratamento diferente.
O pagamento do sinistro não depende de quem liga mais vezes, depende de uma data de entrega completa registrada e de um relógio de trinta dias que alguém precisa estar contando.
"Se a sua seguradora atrasasse o pagamento de um sinistro hoje, você saberia dizer em que dia exato o prazo dela começou a correr?"
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