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Batida 1. Carro comprado por R$ 92.000 na concessionária, apólice a 100% do valor de mercado referenciado, colisão no vigésimo segundo mês. A tabela do mês marcava R$ 78.400, o saldo devedor estava em R$ 71.900, e a conta do cliente recebeu R$ 6.500.
Batida 2. Mesmo carro, mesma colisão, apólice fechada a 95% para economizar R$ 22 por mês no prêmio. A indenização caiu para R$ 74.480, o banco recebeu os mesmos R$ 71.900, e sobraram R$ 2.580 para o cliente.
Batida 3. Mesmo carro com 10% de entrada em 60 meses, colisão no décimo mês. A tabela dava R$ 84.100, a quitação antecipada estava em R$ 88.700, e o processo terminou com o cliente devendo R$ 4.600 ao banco, sem carro na garagem.
A batida 2 mostra o preço da economia miúda. Doze meses de desconto somavam R$ 264 no prêmio, e a diferença na indenização foi de R$ 3.920, quinze vezes o valor poupado no caminho.
A batida 3 é a mais comum nos primeiros dois anos de financiamento. A apólice funcionou, o pagamento saiu no prazo, e mesmo assim ficou dívida, porque o contrato de crédito andava mais devagar que a depreciação do veículo.
O que fazer antes da próxima parcela
1. Hoje: abra o PDF da apólice e procure a expressão valor de mercado referenciado. O percentual ao lado dela é o seu fator de ajuste, e ele vale para o dia da batida.
2. No site da FIPE: consulte a cotação do seu modelo, ano e versão, e anote o número do mês corrente num lugar que você reencontre.
3. No banco: peça o valor de quitação antecipada do financiamento por escrito, pelo aplicativo ou pela central de atendimento.
4. Na conta: multiplique a tabela pelo fator, subtraia a quitação e olhe apenas o sinal do resultado. Negativo é dívida que sobreviveria ao carro.
5. Na renovação: com resultado negativo, cote o mesmo contrato a 110% e compare o prêmio antes de repetir a apólice do ano passado.
O padrão das três batidas é um só. A apólice paga o que a cláusula mandou pagar, e a cláusula foi escrita meses antes da batida.
A parcela que vence neste mês carrega juro, seguro e uma promessa de valor. As duas primeiras aparecem no boleto. A terceira está numa cláusula de duas linhas, e ela decide quanto sobra quando o carro não voltar da oficina.
Conferir o fator de ajuste da apólice leva dois minutos, e é o trabalho mais barato que existe antes de assinar qualquer renovação.
"Se o carro parasse hoje, quanto sobraria depois que o banco recebesse?"
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