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Antes de quebrar a primeira parede, avise a seguradora por escrito e contrate quem responda pela obra: a apólice residencial não cobre a reforma em si.
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O aviso tem duas funções. Ele cumpre o artigo 769 e evita a negativa por silêncio, e obriga a seguradora a dizer, também por escrito, o que segue coberto durante a obra.
Algumas seguradoras mantêm as coberturas comuns e reforçam a exclusão da obra; outras ajustam o prêmio ou suspendem o seguro até a reforma terminar. A resposta escrita mostra qual das três vale para a sua casa.
Quem paga a rachadura
A responsabilidade pela obra fica com quem executa. Construtora e empreiteiro (o profissional que toca a obra por contrato) podem contratar seguro de risco de engenharia, a apólice própria para obras, que cobre dano à obra e, com cobertura adicional, dano a vizinho.
Em prédio, a norma ABNT NBR 16280, publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas em 2014, exige plano de reforma assinado por engenheiro ou arquiteto e entregue ao síndico antes do início. O plano leva a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica, o registro do engenheiro no conselho da classe) ou o RRT (Registro de Responsabilidade Técnica, o equivalente para arquiteto).
O documento põe nome e registro em quem decidiu que a parede podia sair. Se ela era estrutural, a conta da trinca segue para esse profissional e para o seguro dele.
Obra pequena também conta. Trocar piso, abrir ponto de tomada ou embutir ar-condicionado exige furo, corte e entulho, e a cláusula de exclusão não mede o tamanho da reforma: mede se o dano nasceu dela.
Prepare a obra em 4 passos
1. Mande email à seguradora com o tipo de obra, as datas e os cômodos atingidos, e guarde a resposta.
2. Contrate engenheiro ou arquiteto para dizer se a parede é estrutural, com ART ou RRT emitida.
3. Entregue o plano de reforma ao síndico antes do início, como pede a NBR 16280.
4. Peça ao empreiteiro a apólice de risco de engenharia ou de responsabilidade civil, com cobertura para vizinho.
Fotografe paredes, tetos e o apartamento vizinho antes da primeira marreta. A foto com data mostra quais trincas já existiam e quais a obra abriu.
Juliana não cumpriu nenhum dos quatro passos. O pedreiro não tinha registro profissional, a parede era de alvenaria estrutural, e o prédio de 1987 apoiava parte da laje nela.
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