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Caso A. Mangueira da máquina de lavar solta, água atinge o apartamento de baixo, prejuízo de R$ 14.300 entre forro, pintura e piso. Apólice com responsabilidade civil familiar de R$ 30 mil e franquia zero. A seguradora paga o orçamento inteiro direto ao vizinho, e o morador arca apenas com o próprio piso, que corre por outra cobertura.
Caso B. Mesmo acidente, mesmo prejuízo, apólice com limite de R$ 10 mil contratado no piso pelo aplicativo do banco. A indenização para no teto, e o morador completa R$ 4.300 do próprio bolso. A cobertura funcionou, o limite é que estava dimensionado para outro tamanho de estrago.
Caso C. Mesmo acidente, com um detalhe a mais: o morador já tinha reclamado no grupo do condomínio, oito meses antes, que a área de serviço vivia úmida. A seguradora nega o sinistro por dano conhecido, e os R$ 14.300 ficam inteiros com quem causou.
Os três casos partem do mesmo domingo de manhã e da mesma mangueira. O que separa o desfecho é uma linha da tabela de coberturas e uma conversa antiga registrada por escrito.
Existe ainda um quarto caminho, o de quem não tem apólice nenhuma. O vizinho cobra o conserto, o morador se recusa a pagar por achar que a culpa é da tubulação do prédio, e a discussão vai para o juizado especial cível. Perícia e honorários entram na conta, e a convivência no elevador segue estragada por meses.
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"Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem."
Código Civil, Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 927, parágrafo único.
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O texto reforça que a obrigação de reparar segue quem causou o dano, com apólice ou sem apólice. O seguro residencial não cria a responsabilidade nem a elimina: ele decide se o dinheiro sai da seguradora ou da conta corrente do morador.
O que fazer com a apólice ainda hoje
1. Localize a apólice residencial em PDF no email da seguradora ou do corretor e abra a tabela de coberturas.
2. Marque com caneta a linha da responsabilidade civil familiar, com o limite e a franquia ao lado.
3. Some, por cima, o custo de refazer forro, pintura e piso de um cômodo do apartamento de baixo e compare com o limite marcado.
4. Peça ao corretor a diferença de prêmio anual entre o limite atual e um limite de R$ 50 mil, por escrito e no email.
5. Conserte as infiltrações e goteiras que você já conhece, porque dano conhecido e não reparado sai da cobertura.
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A responsabilidade civil familiar não protege a sua casa. Ela protege o seu dinheiro do estrago que a sua casa faz na casa dos outros, até o limite que estava escrito na proposta que você aceitou.
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"Se a água da sua área de serviço descesse hoje na sala do vizinho, você saberia dizer de cabeça até quanto a sua apólice paga?"
Confira ainda hoje: qual o limite em reais da responsabilidade civil familiar na sua apólice, qual a franquia dessa linha específica, e quais infiltrações da sua casa você já conhece e ainda não consertou.
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