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Caso A. Imóvel com R$ 500 mil de custo de reconstrução, declarado na apólice por R$ 500 mil. Curto no quadro da cozinha, prejuízo apurado de R$ 40 mil, franquia de R$ 3 mil. A seguradora paga R$ 37 mil, e a obra da cozinha sai inteira do bolso da apólice.
Caso B. Mesmo imóvel, mesmo estrago, declarado por R$ 250 mil para baratear o prêmio. O ajustador aplica a proporção de 50%, chega a R$ 20 mil, desconta os R$ 3 mil de franquia e deposita R$ 17 mil. O sinistro foi coberto, aprovado e pago, e ainda assim faltam R$ 23 mil para a cozinha ficar pronta.
Caso C. Mesmo imóvel, declarado por R$ 250 mil, com cláusula de dispensa de rateio contratada na renovação. A seguradora paga R$ 37 mil, porque o limite de R$ 250 mil só entraria em cena num prejuízo acima desse valor. A economia no prêmio continuou, o desconto no sinistro não veio.
Os três casos partem do mesmo quadro elétrico e do mesmo orçamento. O que separa o desfecho é um número na proposta e uma cláusula que precisa ser pedida em voz alta.
Existe um quarto caminho, mais comum do que parece: o segurado que declarou certo na contratação e passou oito anos renovando pelo mesmo valor. O custo de reconstrução subiu com o material, o número na apólice ficou parado, e no sinistro a proporção aparece contra alguém que jamais tentou economizar prêmio.
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"A indenização não pode ultrapassar o valor do interesse segurado no momento do sinistro, e, em hipótese alguma, o limite máximo da garantia fixado na apólice, salvo em caso de mora do segurador."
Código Civil, Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002, artigo 781.
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O artigo fecha o cerco pelos dois lados. Segurar por mais do que a casa vale não gera indenização maior, porque o teto é o valor real do bem. Segurar por menos aciona a proporção do artigo 783. A faixa que serve ao bolso do segurado é estreita, e mora no custo de reconstrução apurado com honestidade.
O que fazer com a apólice ainda hoje
1. Abra a apólice residencial em PDF e localize o valor declarado na cobertura básica de incêndio, raio e explosão, a linha que sustenta as demais.
2. Calcule a área construída vezes o custo por metro quadrado do CUB do seu estado, no padrão do seu acabamento, e acrescente vinte por cento.
3. Divida o valor declarado pelo valor calculado. O percentual que aparecer é o que a seguradora pagaria de cada real do seu próximo prejuízo.
4. Liste as reformas feitas desde a última atualização do valor e some o custo delas ao número calculado.
5. Peça ao corretor as duas cotações por escrito: valor corrigido com rateio e valor atual com dispensa de rateio, para comparar prêmio contra risco carregado.
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Prêmio barato por valor declarado baixo não é desconto, é um empréstimo que a apólice cobra de volta no dia do sinistro, com a proporção que você mesmo escolheu sem saber.
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"Se um curto queimasse a sua cozinha hoje, quantos centavos de cada real de prejuízo a sua apólice pagaria?"
Confira ainda hoje: qual o valor declarado em reais na cobertura de incêndio da sua apólice, qual a área construída do imóvel em metros quadrados, e em que ano esse valor declarado foi atualizado pela última vez.
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